Apesar do posicionamento contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a licença temporária de José Sarney da presidência do Senado, a bancada do PT apresentou a Lula, durante encontro na noite de quinta-feira (2), no Palácio do Alvorada, que considera "um gesto de grandeza" a licença de Sarney. Na opinião dos senadores presentes ao jantar, isso é necessário para garantir transparência às investigações das denúncias contra o Senado pelo TCU, Polícia Federal e Ministério Público.
"O presidente Lula não concorda com a licença porque acha que dificilmente Sarney retornaria para o comando do Senado. Sua saída, segundo Lula, aumenta a crise política e gera mais instabilidade porque a oposição tem interesse em controlar o Senado no tapetão", disse o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP).
O líder salientou que a bancada expressou ao presidente Lula que a licença temporária de Sarney permitirá que as investigações das denúncias sejam realizadas com tranqüilidade, transparência e austeridade, punindo os culpados. A bancada disse a Lula que também comunga o compromisso de aliança com o PMDB porque a governabilidade "é uma questão de Estado". "O presidente Lula é o grande arquiteto do Brasil. Tem apoio de mais de 80% da população e considera imprescindível que o Senado se estabilize, promova as investigações, e continue garantindo a aprovação de políticas públicas inclusivas para o enfrentamento da crise econômica", disse o líder.
Mercadante informou que a bancada do PT tem o compromisso de propor a construção de um novo Senado, desafio que a sociedade será chamada para compartilhar. A bancada apresentou a proposta de criação de uma comissão para promover audiências públicas destinadas a ouvir a sociedade civil sobre o Senado que ela quer. Também propõe a reativação do colégio de líderes para apoiar as decisões legislativas da Mesa Diretora.
O líder disse que a bancada do PT não vai abdicar de sua defesa por uma reforma profunda do Senado, apuração das irregularidades e punição dos culpados. "Nosso partido nasceu com um diálogo muito rico com a opinião pública brasileira e hoje é um partido com maior preferência popular no Brasil, exatamente pelo projeto que está dando certo. Esse é o governo mais popular da história do País", afirmou Mercadante.
Na semana que vem, informou o líder, o senador Tião Viana (AC) deverá apresentar o projeto que está coordenando cujo objetivo é instituir uma lei de responsabilidade fiscal e financeira para o Senado. Essa lei estabelecerá limites de despesas, metas de desempenho e ajudará a definir o tamanho ideal do Senado.Mercadante apresentou o resultado da reunião com o presidente Lula acompanhado dos senadores Eduardo Suplicy (SP), Paulo Paim (RS), Tião Viana, Ideli Salvatti (SC) e Marina Silva (AC). Os senadores rechaçaram a idéia publicada na imprensa de que Lula "enquadrou" a bancada para apoiar Sarney. "A bancada vai se reunir na próxima terça-feira (7) para tomarmos uma posição final. Continuamos defendendo a licença temporária de Sarney e as propostas de reforma do Senado", reafirmou Paulo Paim.
Quando o senador deu a entrevista, a expectativa era de que o presidente Lula ainda iria conversar com Sarney, transmitir a posição da bancada, dar a conhecer a sua própria posição sobre o que foi tratado no jantar da noite de quinta-feira. A bancada pretende aguardar o desenrolar desses fatos para avaliar a situação política do Senado. "Colocamos o posicionamento de nossa bancada com toda a transparência para o presidente Lula", afirmou Mercadante, salientando que a bancada continuará avaliando o cenário até terça-feira.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Liderança do PT no Senado
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