Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre cartões de crédito, na manhã desta terça-feira (23), a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) mostrou a fatura de um usuário do cartão de crédito onde os juros cobrados para o próximo período – mês que vem – chegará a 15% ao mês, o equivalente a quase 500% ao ano.
"É um absurdo cobrar uma taxa de juro como esta. É quase duas vezes a taxa Selic", afirmou Ideli.
Segundo Ivo Pietas, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços, o custo elevado dos cartões é justificado pelo maior ingresso de pessoas de classes mais baixas ao mercado de consumo e, também, pela inadimplência.
Mas Ivo foi contestado pelo ex-diretor do Banco Central, Paulo Thadeu de Freitas, hoje da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que alegou que os estabelecimentos comerciais acabam repassando para o preço cobrado dos consumidores o custo dos juros altos e porque utilizam esse meio de pagamento. "Se o sobrepreço for retirado do valor final dos produtos, o IPCA (índice que mede a inflação) tende a cair", afirmou.
Ideli destacou que é necessário desconcentrar as empresas que credenciam os estabelecimentos comerciais a receber as máquinas de pagamento – Visanet e Redecard – para permitir que os custos do estabelecimentos comerciais diminuam. Com isso, os juros aos consumidores deverão cair.Para a associação dos cartões de crédito, os juros elevados também são justificados porque servem de emergência numa linha de crédito rotativa.
Conforme o relatório da Indústria de Cartões de Pagamento, feito pelo Banco Central, Ministério da Fazenda e Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça, o setor deverá oferecer um manual sobre como melhor utilizar o cartão de crédito, para que as pessoas não percam o controle de suas contas com o pagando juros elevados todos os meses.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Liderança do PT no Senado
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