quinta-feira, 25 de junho de 2009

Senadores negam terem sido beneficiados por atos secretos

A informação de que pelo menos 37 senadores teriam sido beneficiados por atos secretos foi rechaçada por parte dos parlamentares ouvidos pelo Terra que aparecem na reportagem do jornal Estado de São Paulo desta terça-feira.

A reportagem traz uma lista de senadores de vários partidos que aparecem como supostos beneficiários das nomeações que não foram divulgadas por estes atos. Além disso, a matéria aponta nove senadores que assinaram os atos quando faziam parte da Mesa Diretora da Casa.
O senador petista Tião Viana (AC), que aparece entre os ex-integrantes da Mesa, garante que jamais assinou qualquer ato tendo conhecimento de que posteriormente o documento seria "escondido", ou seja, deixaria de ser publicado.

"Não acredito que eu tenha assinado algum ato, nunca vi um ato secreto na minha vida. Todo documento que assinei na Mesa foi fruto de uma decisão conjunta e foi levado ao Plenário para ser votado. Se depois de aprovado em plenário pelos 81 senadores, foi encaminhado para a publicação, foi transformado em ato secreto, aí já é coisa de bandido", disse.

Para ele, o ex-diretor Agaciel Maia agia em conjunto com outros servidores que se beneficiavam de alguma forma com os atos secretos. "Claro que tem alguém com ele, a ocultação de documentos é uma ação de quadrilha, alguém era beneficiado com isso. Isso vai aparecer, tem que se apurar, doa a quem doer", disse.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), também apontado como um dos ex-integrantes da Mesa que teria assinado um ato secreto, nega ter feito qualquer coisa neste sentido. "Não houve um ato que eu tenha assinado, que eu tenha tido conhecimento que tivesse sido secreto. Já mandei uma carta para o presidente Sarney dizendo que todo e qualquer ato que por ventura não tenha sido publicado deve ser anulado", afirmou.

O atual corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP), que também já integrou a Mesa, seguiu a mesma linha de defesa. "Assinei vário atos, mas nunca vi nem ouvir ninguém pedir para não publicar", afirmou.

Na visão do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), ainda é cedo para se dizer que os senadores que assinaram os atos estariam necessariamente envolvidos com o esquema supostamente coordenado pelo ex-diretor do Senado, Agaciel Maia.

"É prematuro fazer uma insinuação desta natureza. É preciso abrir esses atos e ver a natureza de cada um. É provável que a maioria desses atos seja fruto de uma decisão administrativa que não passa necessariamente pelas mãos dos senadores e, portanto, a responsabilidade seria de quem não publicou o material", disse.

O primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), vai divulgar nesta terça-feira um relatório feito para apurar a questão dos atos secretos.
O assunto também será debatido na reunião da Mesa marcada para o fim do dia.

Marina Mello
Direto de Brasília

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